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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Desvario em Sono: Aniversário

Era meu aniversário, comemorado no salão de festas de um pequeno shopping que, porventura estava vazio para um estabelecimento tão movimentado e comum. Me animei quando disseram que havia um cômodo-surpresa para mim. A única condição era achar a chave. Chave esta, que estaria com o namorado da minha prima, Breno.
Andei pelo shopping à procura dele. Mas ele parecia ter evaporado e, enquanto eu vagava pelos corredores infinitos de um shopping qualquer, meus pensamentos se desenrolavam numa eterna odisseia às profundesas mais inóspitas da minha mente. Até que quando me dei conta estava num longo e vazio corredor. Neste só haviam um Banco, ao lado esquerdo, com uma bela moça dentro a digitar muito concentrada, e uma escada rolante em seu final.
Um homem a subia despretensiosamente. Ele não me pareceu nada cofiável, dei meia volta e percebi que vinham mais dois. Estava encurralada.
Todo o meu nervosismo até então oculto, revelou-se em minhas feições. Só rezava para que eles não tivessem notado. Aventurei-me numa tentativa de passar despercebida pelos dois, por infortúnio, má sucedida. Corri. Correram atrás de mim. O pânico dominou cada milímetro do meu corpo, um tremor invadiu minhas pernas, minha mente congelou. E então avistei aquela bela moça dentro do Banco. Me prendendo ao último fio frágil de esperança entrei e tentei a plenos pulmões pedir ajuda.
Imediatamente percebi que havia um vidro nos separando. Ela estava tão focada que não me ouvia, nem me via. Um dos homens me alcançou, o outro se interessou por ela e investiu contra a porta. O primeiro-homem agarrado a meu braço, sorriu, num riso cínico e ameaçador.
Reunindo o resto de força e coragem que me restavam, revidei com um certeiro e doloroso chute que atingiu sua parte mais sensível. Só bastou um e ele caiu, todavia sua insistência perdurou e suas mãos continuavam comprimindo meu braço.
Então, num acesso de fúria, o arrastei até a porta e com muita violência levei sua cabeça de encontro ao vidro. Uma, duas, na terceira batida ele me soltou, porém minha cólera não cessava. Quatro, cinco... percebendo o sangue nas paredes, na porta e nas minhas mãos, parei. Fugi. As lágrimas já percorriam meu rosto quando, correndo, avistei um grupo de seguranças...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Desvario em Sono: Presente de Grego

Duas melhores amigas, populares, inseparáveis, tão unidas, quase irmãs. Britany, a mais bonita, chamava mais atenção por sua beleza e desenvoltura na dança. Tiffany sempre estava em segundo plano, mas para ela a popularidade e a companhia de Brit compensava qualquer secundarismo.
Tiffany guardava uma certa obsessão pela amiga, talvez isso a fizesse se manter o mais próximo possível dela em tempo integral. Até que uma notícia ameaçou essa proximidade.
Era uma noite especial, já que não é todo dia que se faz 16 anos. E para Britany tudo teria que estar perfeito, ansiava mais do que ninguém por aquela data. Seria uma parte de sua liberdade.
Realmente tudo parecia ocorrer muito bem. Até que entre copos, bebidas, pratos e comidas a mãe da aniversariante chama atenção de todos para contar-lhes algo: eles partiriam para outro país no dia seguinte.
Neste instante, Tiffany, estupefaça, perdeu o chão. Nada ao seu redor era visto, nem ouvido. As palavras da mãe de Britany ainda ecoavam em sua mente como num repentino disparate. Ela nunca se imaginou longe da amiga... Aquilo a aterrorizou de uma maneira indescritível.
Britany se encontrava triste por ter que se afastar dos amigos, todavia esperançosa, já possuia planos para a nova fase da sua vida.
A festa fluiu tranquilamente, com um ar de despedida, para seu fim. Tiffany ainda não se conformava com a separação e como último pedido solicitou uma noite do pijama com a amiga, que por sua vez adorou a ideia. Seria a despedida perfeita.
A festinha noturna entre as garotas foi como outra qualquer: cheia de risos e música, histórias e fofocas. Tudo como imaginado. Até que Britany adormeceu...
Tiffany observava a amiga em seu sono tranquilo, enquanto os perversos pensamentos penetravam sua mente, a envolvia e a dominava perigosamente. Após uma visita a sala, ela adentra o quarto sorrateiramente com uma tesoura em mãos. Com um ar nocivo e pertubador ela se aproxima de Britany, senta-se ao seu lado e na altura de sua orelha sussurra: "Não queria que fosse assim... Tinhamos a vida perfeita! Eramos como a água e o vento. Juntas eramos o mar com suas formosas ondas. Separadas não somos nós mesmas, apenas simples e míseras água e vento. Detesto simplicidade! Miséria são para fracos e derrotados! Não deixarei isso acontecer. Seremos lembradas para sempre... Adeus."
Com um movimento rápido e um grito abafado, a tesoura atravessou a garganta de Britany afogando-a em seu próprio sangue. No segundo seguinte a tesoura se encravava no abdómen de Tiffany, fazendo, lenta e dolorosamente, a vida abandonar seus olhos.

domingo, 29 de agosto de 2010

Para Descontrair: Reles Rimas [2]

- Perfume
Cheiro, que cheiroso!
Cada um é diferente do outro
Porque ter todos se puder ter aquele
O mais perfeito dos perfumes
Aquele que te faz imaginar as mais remotas das essências
Do ser, do estar, do falar, do amar
Aquele que te faz suspirar
Lembrando daquele dia que te fez parar
E render-se sem pensar

- Encontro
Andei procurando
Procurando sabe-se o que
Só sei que encontrei
Encontrei você
Você? Não!
Você não existe!
É apenas minha imaginação
Perfeito com sua beleza
Amante para o meu coração
Mas é só uma criação
Que pena que é só a minha imaginação...

PS.: Camões deve estar se debatendo no túmulo agora. Gente como eu sou ruim! Não arruinarei mais as suas mentes...

sábado, 28 de agosto de 2010

Desvario em Sono: Ódio

Era um fim de tarde de São João. Todos estavam na rua gritando, dançando, cantando, soltando fogos, festejando... Exceto uma garota, ela era turista como a maior parte das pessoas que se encontravam nesta cidadezinha. Andava devagar e em passos continuos parecia que não estava nesse mundo. Entrou no mercado. Assim como toda a cidade, o lugar estava cheio. Atravessou algumas prateleiras e subitamente parou. Algo, melhor, alguém chamou sua atenção. Cabelos negros como ébano e suavemente arrebitados, olhos tão azuis quanto o céu sem nuvens num dia ensolarado, feições másculas e concomitantemente angelicais. Tinha um corpo escultural, um olhar penetrante e um sorriso hipnótico que iluminava seu rosto e o fazia mais parecido com os deuses. Seu nome? Thomaz.
Ele correu e a abraçou, a garota retribuiu. Iniciou-se uma conversa entre bons amigos, porém ela não ouvia, parecia fascinada com sua beleza e hipnotizada com seu jeito. Eles andaram um pouco e então a mesma sentiu o chão fugir dos seus pés quando Thomaz lhe apresentou sua noiva. Ela possuia um rosto bonito, cabelo ligeiramente loiro e cacheado, porém era de uma magreza que seus ossos transpareciam a pele. Tinha uma soberba no olhar e um riso sínico e provocador nos lábios.
Um ódio corroeu suas entranhas, socou seu estômago. A garota se afastou e quando não estava mais a vista se encostou na prateleira. Uma fúria penetrou em seu peito, então ela avistou o alcool, pegou três garrafas e discretamente foi espalhando pelo mercado até que encontrou a noiva. Cega de cólera se aproximou dela, sem nenhuma discrição derramou a garrafa inteira de alcool sobre a mulher e cruelmente ateou fogo com um isqueiro.
As labaredas surgiram rapidamente e os gritos entoavam numa melodia maléfica que agradava aos seus ouvidos. O fogo espalhava-se pelo local. A algazarra penetrou no mercado e ela se deu conta de que precisava sair. Correu. E já do lado de fora, parou e apreciou, com um ar insano, as chamas se refletindo em seus olhos nocivos, o lugar desmoronar esmagando todos lentamente.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Para Descontrair: Reles Rimas

- O Que Ser
Não sei o que ser
O que irei ser
Será que você sabe?
A cada segundo me pego
Pensando no que ser
Nada! É a resposta que me vem
Nada, vazio, quem sabe?
Talvez um dia saberei
Ou morrerei sem saber
Mas só assim saberei que tentei
Tentei ser eu até o fim!

- Conflito
Minha mente em conflito
Não esconde a transição
Sempe aflito
Bate aquele coração
É mentira ou verdade?
Vai ou volta?
Aparece ou se esconde?
Anda logo não demora
Pressa ou perfeição?
Eu escuto ou não?
Por que tanto peso?
Se meus ombros não aguentam
Chega logo solução
Tchau infortúnio
Adeus aflição!

PS.: Bem chulas mesmo! =X

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Desvario em Sono: Incêndio

Era uma tarde de inverno, clima seco, frio, com vento, e o sol teimava em aparecer. Ela tomava banho, aquele banho quente que arrepia a penugem e expulsa toda a frieza do corpo.O seu sabonete perfumado com a água fervente atravessava cada pequena parte da sua pele e deixava os espelhos e vidros embassados. Um cantarolar gracioso de uma música desconhecida se misturava a névoa e inundava o banheiro, que por sinal era pequeno e simples não fazia jus a beleza que alí achava-se. O que ela não notou foi que tinha exigido demais do chuveiro e o objeto entrou em curto circuito iniciando um dos focos do estranho incêdio daquela tarde de domingo.
Deixando o banheiro para trás ela se vestiu e apanhou o secador para secar seus belos cabelos. Até que sentiu um cheiro que a assustou, um forte cheiro de queimado. O fogo havia se alastrado e tinha tomado conta de todo o chuveiro. Correu até a sala para avisar a família e encontrou fogo no sofá próximo do frasco de um perfume que havia deixado lá. Antecipou-se e alcançou o recipiente, todavia assim que percebeu o que era, apavorou-se. O que antes era um líquido aromático, agora mais parecia uma bomba líquida armazenada neste pequeno frasco. Imediatamente se dirigiu a varanda e olhou para a rua logo abaixo. Morava no quarto andar e tinha pessoas na rua... não tinha escolha a bomba estava prestes a detonar necessitava se livrar dela. Jogou-a.
Primeiro uma explosão seguida de um pavoroso silêncio. Ela estava petrificada com a esperança de que tivesse ido junto com a bomba, até que seu irmão lhe chamou. Não podia ficar parada tinha que agir, pois o incêndio agora tinha três focos: o chuveiro, o sofá e a geladeira.
A energia já estava cortada poderiam agora jogar água. E jogaram. Baldes e baldes de água para apagar o fogo. Com as chamas controladas, o medo cessou e o alívio chegou, não obstante durou muito pouco, pois já ouvia-se gritos vindos dos andares inferiores e a sirene dos bombeiros ecoava pela rua. O Terror invadiu o seu rosto, se apoderou do seu corpo, rasgando seu peito, explodindo seu coração.
E então uma tranquilidade a invadiu. Ela se sentiu quente, segura, sonolenta... Acordou e percebeu que tudo não passava de um desvario. Era apenas um sonho...