Era um fim de tarde de São João. Todos estavam na rua gritando, dançando, cantando, soltando fogos, festejando... Exceto uma garota, ela era turista como a maior parte das pessoas que se encontravam nesta cidadezinha. Andava devagar e em passos continuos parecia que não estava nesse mundo. Entrou no mercado. Assim como toda a cidade, o lugar estava cheio. Atravessou algumas prateleiras e subitamente parou. Algo, melhor, alguém chamou sua atenção. Cabelos negros como ébano e suavemente arrebitados, olhos tão azuis quanto o céu sem nuvens num dia ensolarado, feições másculas e concomitantemente angelicais. Tinha um corpo escultural, um olhar penetrante e um sorriso hipnótico que iluminava seu rosto e o fazia mais parecido com os deuses. Seu nome? Thomaz.
Ele correu e a abraçou, a garota retribuiu. Iniciou-se uma conversa entre bons amigos, porém ela não ouvia, parecia fascinada com sua beleza e hipnotizada com seu jeito. Eles andaram um pouco e então a mesma sentiu o chão fugir dos seus pés quando Thomaz lhe apresentou sua noiva. Ela possuia um rosto bonito, cabelo ligeiramente loiro e cacheado, porém era de uma magreza que seus ossos transpareciam a pele. Tinha uma soberba no olhar e um riso sínico e provocador nos lábios.
Um ódio corroeu suas entranhas, socou seu estômago. A garota se afastou e quando não estava mais a vista se encostou na prateleira. Uma fúria penetrou em seu peito, então ela avistou o alcool, pegou três garrafas e discretamente foi espalhando pelo mercado até que encontrou a noiva. Cega de cólera se aproximou dela, sem nenhuma discrição derramou a garrafa inteira de alcool sobre a mulher e cruelmente ateou fogo com um isqueiro.
As labaredas surgiram rapidamente e os gritos entoavam numa melodia maléfica que agradava aos seus ouvidos. O fogo espalhava-se pelo local. A algazarra penetrou no mercado e ela se deu conta de que precisava sair. Correu. E já do lado de fora, parou e apreciou, com um ar insano, as chamas se refletindo em seus olhos nocivos, o lugar desmoronar esmagando todos lentamente.