Era uma tarde de inverno, clima seco, frio, com vento, e o sol teimava em aparecer. Ela tomava banho, aquele banho quente que arrepia a penugem e expulsa toda a frieza do corpo.O seu sabonete perfumado com a água fervente atravessava cada pequena parte da sua pele e deixava os espelhos e vidros embassados. Um cantarolar gracioso de uma música desconhecida se misturava a névoa e inundava o banheiro, que por sinal era pequeno e simples não fazia jus a beleza que alí achava-se. O que ela não notou foi que tinha exigido demais do chuveiro e o objeto entrou em curto circuito iniciando um dos focos do estranho incêdio daquela tarde de domingo.
Deixando o banheiro para trás ela se vestiu e apanhou o secador para secar seus belos cabelos. Até que sentiu um cheiro que a assustou, um forte cheiro de queimado. O fogo havia se alastrado e tinha tomado conta de todo o chuveiro. Correu até a sala para avisar a família e encontrou fogo no sofá próximo do frasco de um perfume que havia deixado lá. Antecipou-se e alcançou o recipiente, todavia assim que percebeu o que era, apavorou-se. O que antes era um líquido aromático, agora mais parecia uma bomba líquida armazenada neste pequeno frasco. Imediatamente se dirigiu a varanda e olhou para a rua logo abaixo. Morava no quarto andar e tinha pessoas na rua... não tinha escolha a bomba estava prestes a detonar necessitava se livrar dela. Jogou-a.
Primeiro uma explosão seguida de um pavoroso silêncio. Ela estava petrificada com a esperança de que tivesse ido junto com a bomba, até que seu irmão lhe chamou. Não podia ficar parada tinha que agir, pois o incêndio agora tinha três focos: o chuveiro, o sofá e a geladeira.
A energia já estava cortada poderiam agora jogar água. E jogaram. Baldes e baldes de água para apagar o fogo. Com as chamas controladas, o medo cessou e o alívio chegou, não obstante durou muito pouco, pois já ouvia-se gritos vindos dos andares inferiores e a sirene dos bombeiros ecoava pela rua. O Terror invadiu o seu rosto, se apoderou do seu corpo, rasgando seu peito, explodindo seu coração.
E então uma tranquilidade a invadiu. Ela se sentiu quente, segura, sonolenta... Acordou e percebeu que tudo não passava de um desvario. Era apenas um sonho...
A EPIDEMIA DO SUICÍDIO DO TRANSGÊNERO
Há 10 anos


2 comentários:
Gostei muito Jeu de seu primeiro texto, principalmente da história do seu conto/sonho.Já fiquei com vontade de ler os próximos, serei então seu seguidor/leitor assíduo (rsrs)
bjssss
by isaac
Gostei desse senhorita, muito bem escrito, as palvras ficaram bem harmonicas
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