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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ônibus - Parte 1

Obs: Não foi um sonho.

Frio dos pólos em pleno trópico de capricónio. Sair da cama é realmente difícil, mas as obrigações nos arrancam do calorzinho de nossa casa.
Vinte anos e ter que pegar ônibus é uma de suas privações, ainda não sabe dirigir e não possui carro. Mas ela está no caminho certo, indo para a faculdade para tornar-se independente.
O vento está muito forte no ponto. Ela fecha bastante o casaco e se abraça. Se arrepende de ter colocado a saia, apesar de ainda acreditar na possibilidade de fazer calor. Seus cabelos negros dançam pelo ar, num vai e vem furioso como as ondas do mar revolto.
Pelo menos não está chuvendo...
Depois de uma espera razoável, ela avista seu ônibus, faz o sinal e sobe. Então percebe que deveria ter esperado o próximo, já que este estava com a lotação além do agradável.
Procurou e encontrou um espaço naquele corredor sem cadeiras entre o meio e o fundo do ônibus, extamente entre um homem e a janela. Pedindo pacientemente licença e se espremendo chegou no lugar.
De costas para o estreito pedaço de parede que separavam as janelas e de frente para o homem, com uma mão na janela superior e a outra na inferior, ela enfim se acomodou.
Ele olhou-a.
Seus cabelos lisos e compridos tamborilavam ao passar do vento vindo das janelas, seus lábios vermelhos davam água na boca, sua pele alva com certas pintas que se sobresaíam no pescoço e no colo, que aliás foi onde ele deixou seus olhos claros demorarem. Seus seios pequenos porém rechochundos e pontudos mostravam-se ao decote e transpareciam à blusa (agora com o casaco aberto), deixando claro a falta do sutiã. Descendo o olhar parou nas coxas que se sobresaiam à saia mediana.
O ônibus deu um tranco e ela se desequilibrou. Para não cair se apoiou no peito dele à sua frente.
Sua mão foi tateando do peito à barriga e de volta ao mesmo. Foi um movimento involuntário.
"Ups! Desculpa! Me desequilibrei."
Ele sorriu, um sorriso branco e sedutor, e ela vermelha voltou a posição inicial. Foi então que reparou...
Cabelos despojados igualmente negros como ébano, olhos cor de mel, boca rosada. Nesse momento ela mordeu os lábios interrompendo um suspiro forte... seus músculos disputavam uma luta muda com a camisa para saber quem era mais resistente e seus braços se mostravam fortes e perfeitos sob a pele morena como se pertencessem à Hércules.

1 comentários:

Gabriele Varão disse...

Cadê esse homem no meu ônibus? Eu só tropeço em caras fedorentos e feios. KKKKKKKK

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